TOORO NAGASHI LANTERNA FLUTUANTE

Lanternas de papel levadas pelas águas do rio iluminam o caminho das almas dos antepassados e propagam a paz. Beleza e tradição se mesclam no Tooro Nagashi, homenagem japonesa aos antepassados realizada pela primeira vez no Brasil em 1955.
Aconteceu em Registro. Em memória as vítimas de afogamento, nas águas do Ribeira de Iguape foram lançados sete tooros, levando além de seus nomes os sete caracteres do NAN MU MYO HO REN GE KYO, essência da prática budista.

Realizado tradicionalmente em várias regiões do Japão, o Tooro Nagashi é uma cerimônia de cunho religioso em homenagem aos mortos. Acontece normalmente ao anoitecer do último dia de finados (no Japão são três dias), quando, em águas de rio ou mar, os participantes soltam barquinhos com lanternas de papel (tooros) contendo os nomes dos antepassados falecidos. Feitas com papel manteiga e velas sobre base de madeira, as lanternas coloridas deslizam sobre as águas levadas pelo vento, iluminando o caminho das almas e propagando mensagens de paz.

No Brasil, a cidade de Registro, no Estado de São Paulo, é pioneira na celebração do Tooro Nagashi, realizado nos dois primeiros dias de novembro, por ocasião do Dia de Finados.

O primeiro aconteceu em 1955, poucos anos após um viajante japonês de passagem pela região ter caído e se afogado no Rio Ribeira de Iguape ao tentar lavar o rosto de manhã. A pedido da família do falecido no Japão, o Sr. Emei Ishimo, Obosan (monge) de Nichirenshu (uma das doutrinas do Budismo), recém chegado ao Brasil com sua esposa, procurou em Registro o Sr. Bunzo Kassuga, na época o único adepto de Nichirenshu na cidade, e juntos realizaram a cerimônia.

No primeiro Tooro Nagashi de Registro foram soltos sete tooros, com os sete caracteres que compõem o nam-myoho-renge-kyo (ensinamento fundamental do Budismo), um em cada barquinho, expressando agradecimento à energia do universo. Além do viajante japonês, os tooros homenageavam outras seis pessoas mortas nas águas do rio.

Anos depois, o monge Emyo Ishimoto e Bunzo Kassuga conseguiram a doação de um terreno da Prefeitura de Registro e ali ergueram um monumento em homenagem às vítimas de afogamento. É nesse local, na margem do Rio Ribeira de Iguape, à Rua Miguel Aby-Azar, área central da cidade, que até hoje acontece a cerimônia religiosa do Tooro Nagashi.

A celebração cresceu ano após ano. Ao ser estruturada, a Associação Cultural Nipo Brasileira de Registro – Bunkyo passou a participar ativamente da organização do evento e hoje é a entidade que lidera a sua realização.

A homenagem deixou de ser restrita aos mortos no rio. Primeiro se estendeu também às vítimas de acidentes na rodovia BR-116, que passa sobre o Ribeira em Registro. Mas agora, já há alguns anos, os tooros coloridos levam nomes de todos os antepassados falecidos que os participantes queiram reverenciar. Não importa a crença, nem como tenham morrido. Todos recebem homenagens e orações.

O Tooro Nagashi se transformou em um grande ato ecumênico e chegou a ser definido como “o prenúncio da pacificação mundial”, por integrar harmoniosamente as igrejas Nichirenshu do Brasil, Registro Honganji, Católica, Seicho-no-Iê, Episcopal, Messiânica, Omotokyo e Sokagakkasi.

Na noite de Finados, 2 de Novembro, antes de soltar os tooros, jovens tocam taikô (tambores japoneses) e madre Myoho reza em um barco para purificação das águas. Depois, um a um, os barquinhos vão sendo colocados no rio, que reflete suas lanternas coloridas e acaba coberto por um extenso caminho iluminado ao sabor do vento.

O Tooro Nagashi de Registro integra o calendário oficial de eventos turísticos do Município e do Estado de São Paulo. A programação se estende por dois dias, 1 e 2 de novembro, e, além da cerimônia, inclui atividades artísticas e culturais.

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